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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

"Eu sei que você só quer que tudo acabe, que não consegue ver nada de bom em seu futuro, que o mundo parece obscuro e terrível, e talvez você tenha razão, o mundo pode ser, definitivamente, um lugar apavorante. Eu sei que você mal está suportando. Mas, por favor, aguente mais um pouco" - primeira carta do futuro para Leonard Peacock.


Oi! Como vai? Hoje vamos falar um pouco sobre o livro "Perdão, Leonard Peacock", do Matthew Quick. O Matthew, pelo que me consta, é autor de um sucesso recente chamado "O Lado Bom da Vida", que eu ainda não li. 

Este livro, editado pela Intrínseca, teve lançamento simultâneo com o dos EUA, mês passado. Ótimo. Eu tinha visto ele na lista de lançamentos da Bienal, mas não dei muita bola. Achei que fosse só mais um YA bobo... Mas aí, um tempinho depois, fui ler um pouco mais sobre. E, meu deus, quando li a sinopse, achei interessantíssimo. Imaginei até que seria um YA específico para meninos, pois a proposta do livro era assustadoramente diferente para qualquer outro do gênero. E então, eu olhei ele lá no site da Amazon... ele olhou pra mim... e então eu comprei. O bom de ter um Kindle é que, se bateu aquela vontade e você pode comprar, é instantâneo. E não foi diferente. Em dois minutos eu já estava lendo "Perdão, Leonardo Peacock". Olha ele aí:


A capa original, assim como a wall, logo ali em cima, é toda vermelha. Muito bonita, aliás. Já o título... Minha gente, esse título não faz absolutamente o menor sentido! Eu, até metade do livro pensei que, com certeza, chegaria a explicação desse título ou algum trecho que o justificasse. Nada. Cheguei em 80% do livro. Nada... 99%, antes de virar a última página (tocar a tela do Kindle, no caso), pensei "é agora"... E não foi. Esse título, assim como o de outros YAs, não tem nexo algum. Em nenhum momento eu consegui captar sequer uma relação  com o título. Busquei, no conteúdo, algum arrependimento vindo de alguma parte... Nada. Isso me faz crer que as três características fundamentais de um YA sejam (1) serem curtos, (2) serem fáceis de serem lidos e (3) terem um título nonsense. Mas, aí vem a boa notícia: essa é minha única crítica ao livro.

Então, agora vamos falar sobre a narrativa e a história em si. Lembrando sempre que não há spoilers. O livro é narrado no presente, em primeira pessoa, no caso, por Leonard Peacock. Ele é meio depressivo e anti-social (aí você pensa "afff, esse papo de YA não muda mesmo..." e eu te digo que pensei o mesmo, mas peço um pouco de calma), entretanto, ele tem motivos para isso. Ele, que está completando dezoito anos naquele dia, já mora sozinho. Apesar de sua mãe o sustentar (afinal ele acaba de sair da adolescência), ele nunca conseguiu lidar com o afastamento da mãe (que foi para Nova York, onde se deu muito bem com o mercado da moda) e do pai (um ex-roqueiro que fugiu para a Venezuela por não pagar impostos).

Entretanto, para Leonard o seu tempo na Terra já se esgotara. Ele, vendo o que a vida adulta lhe aguarda, percebendo a infelicidade dela, decide que não quer mais viver, portanto, planeja seu suicídio. Aliás, seu homicídio-suicídio, pois antes de se matar, ele quer matar Asher Beal, por um motivo misterioso, que nos é revelado pouco depois da metade do livro. Ah, e como ele o fará? Com a pistola P-38 nazista de seu avó, um veterano da guerra. Aliás, o nazismo é explorado nesse livro também. Em suas interessantes reflexões, Leonard compara a época nazista com a atual. Para ele, os judeus aguardando os três que os levariam para a morte não são muito diferentes dos adultos esperando os trêns que os levarão para o trabalho que odeiam. Ele também tem aulas sobre Holocausto na escola, com Herr Silverman, um dos personagens-chave da história.

Mas enfim, ele sai para cometer seu homicídio-suicídio, mas antes precisa entregar seu presente de despedida para quatro pessoas que considera especiais. E é aí que a história se desenrola. É durante esse período da narrativa que conhecemos mais quem é, afinal, Leonard Peacock. 

Ah, há outro detalhe importante: durante a narrativa, aparecem algumas cartas do futuro (cujo um trecho da primeira se encontra no início dessa resenha). Elas tem como axioma central, é claro, Leonard Peacock. Estas cartas descrevem um futuro distópico, onde a Terra vive em colapso por guerras e distúrbios naturais, onde as previsões de Al Gore (de que a Terra seria inundada) se materializam. É claro que é um absurdo, mas não deixa de ser interessante por criar uma nova situação com padrões totalmente invertidos. Nestas cartas, nós também conhecemos a "futura mulher" e "futura filha" de Leonard, que descrevem um pouco do futuro também. Nós entendemos, mais pra frente, de onde estas cartas vem.

Os personagens secundários, como Herr Silverman, Walter, Baback e Lauren (os três últimos não foram citados antes aqui) são um dos pontos fortes do livro. São tipos que conhecemos naquele momento, mas já nos despedimos, pois temos a noção de que, como Leonard caminha para a morte, a nossa relação com esses personagens também se vai. E isso deixa o livro mais delicioso ainda.

Vou parar por aqui com a história, e desculpe se falei demais. Para finalizar, posso dizer que é um dos melhores YAs que já li, sem dúvida alguma. Pela narrativa, pela emoção, pelo medo, pelas reflexões, pela transmissão de sentimentos tão legítimos... Enfim, dou ao livro a nota 9!

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3 comentários:

  1. Muito bom... Sempre com esse kindle... Me interessei pelo livro... Só uma coisa... O correto é trens e não três...

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